Meus pobres sonhos que sonhei, já tão sonhados,
Que vento de desdita e de luto vos leva?
Que fúria sem pavor, sedenta de pecados,
Vos guia em turbilhões de poeira e de treva?

E quem vos faz errar sem crença, aniquilados
Por tal desesperança amargurada e seva, 
Que vos vejo adejar, tantos anos passados.
No mesmo céu de sangue onde a morte se eleva...

Sonhos, nuvens do amor, espectros da saudade,
Se o desespero há de chegar um dia destes,
Oh dai-me fé, dai-me esperança e caridade.

E hei de ver-vos voltar, como as visões primeiras,
Meus pobres sonhos que no inferno vos perdestes,
Sob o clarão das três virtudes verdadeiras...