Não sei que vento mau turvou de todo o lago.

Como a capa de luz da Senhora, das Dores,
Ele era azul e tinha estrelas... e o tom vago
Dos olhos cheios de celestes resplendores.

Ele era todo azul como o sonho de um Mago,
Como a capa de luz da Senhora das Dores.

Em tempo algum, que alguém soubesse, escurecera
Ali: se o ocaso vinha, o luar, logo, estendia
Toalhas de neve e celestiais mantos de cera...
Tudo era branco de um alvor de eucaristia.

Anjos pairavam , de asas pandas, sobre o lago.

Já não é mais assim. A dor os ares corta,
E enche de sangue e luto o horizonte pressago.
Soluça por ali a voz da pobre Morta...

No alto do monte, altivo como um Condestável,
Um cavaleiro reza orações. Noite calma.

Sem luar, deixando em tudo um tédio inolvidável...
Não sei que vento mau turvou toda a minha alma.