(A Álvaro Viana)

Fica bem longe o meu principado,
Entre montanhas que não têm verdura.
(Meu dolorido coração, cuidado!
Há muito tempo o temporal perdura).

Vivo no meu castelo avassalado
A uma rainha sem formosura.
Tenho chorado, tenho soluçado,
Como vós mortais que a julgais impura.

Segue-me o Tédio, todo de preto...
E a sublime Rainha dá-me o braço,
Que é branco porque é braço de esqueleto,

— Mudai, Senhora, aprontar a eça...
(Oh chanceler sombrio do meu paço,
O cantochão dos sinos já começa).