Sonhei que estava no eremitério,
Rezando sempre rezas de cor,
E como o luar clareasse o chão do cemitério,
Pensei num mundo que é talvez melhor.

Branca de linho como um fantasma,
A torre grande era só tristeza.
E como envolta em luar, muito magoada e pasma.
Estava ao longe não sei que Princesa.

Era talvez a Desesperança,
Com o seu cortejo de sonhos maus.
(Demônios, dai começo à vossa contradança.
Vinde cantar os lânguidos solaus!)

“Certo o coração de tudo esquece,
Quando muitos anos são passados...”
E eu não te esqueço mais, alma da minha prece,
Que voaste para os mundos encantados!

“Eu sei que o amor sempre se renova,
E que ninguém pode viver só...”
E como o luar clareasse a cruz da tu a cova,
Vi o meu sonho transformado em pó.