(Ao meu primo Horácio Bernardo Guimarães)

Tanta agonia, dores sem causa,
E o olhar num céu invisível posto...
Prantos que tombam sem uma pausa.
Risos que não chegam mais ao rosto...

Noites passadas de olhos abertos.
Sem nada ver, sem falar, tão mudo...
Alguém que chega, passos incertos.
Alguém que foge, e silêncio em tudo...

Só, perseguido de sombras mortas.
De espectros negros que são tão altos.
Ouvindo múmias forçar as portas,
E esqueletos que me dão assaltos...

Só, na geena deste meu quarto
Cheio de rezas e de luxúria...
Alguém que geme, dores de parto,
— Satã que faz nascer uma fúria...

E ela que vem sobre mim, de braços
Escancarados, a agitar as tetas...
E nuvens de anjos pelos espaços.
Anjos estranhos com as asas pretas...

E o inferno em tudo, por tudo o abismo
Em que se me vai toda a coragem...
“Santa Maria, dá-me o exorcismo
Do teu sorriso, da tua imagem!”

E os pesadelos fogem agora...
Talvez me escute quem se levanta:
É a lua... e a lua é Nossa Senhora,
São dela aquelas cores de Santa!