(A Coelho Neto)

Um espírito mau passa rezando ofícios
Na minha alma que está toda cercada de eças.
E patriarcas senis vêm mostrar-me cilícios,
Falam no Purgatório, e vão fugindo às pressas.

Feiticeiras que vendem virtudes e vícios,
Fadas que leem nas mãos as ignotas promessas.
Dizem que hei de sofrer sobre-humanos suplícios.
Satanases também dizem coisas como essas.

Espectros que têm voz, sombras que têm tristeza,
Perseguem-me: e acompanho os apagados traços
De semblantes que amei fora da natureza.

Vós haveis de fugir ao som de padre-nossos,
Frutos da carne infiel, seios, pernas e braços,
E vós, múmias de cal, dança macabra de ossos!