(A Angelina)

Eu quisera dizer-te, meu anjo,
Quanto és por minha alma adorada;
Eu quisera mostrar-te que trago
Tua imagem no peito gravada.

Eu quisera, que a sabia natura
Seus primores para ti reservasse;
Eu quisera, que o Deus de bondade
De mil ditas teus dias coroasse.

Eu quisera, de todo o universo
Sobre o trono melhor te assentar;
Eu, enfim, desejara ser homem
E poético amor te ofertar.

Só em ti, enlevado, veria
O meu voto mais caro cumprido;
Quando uma alma, que a minha entendesse, 
Ao Eterno eu houvesse pedido.

Tu então realizarás, meu anjo,
Meu querido ideal amoroso;
Tu me deras do céu as delícias;
Eu seria o mortal mais ditoso.