Amor! teu nome querido
Quanto é doce proferir!
Mas quanto não é mais doce
No coração te sentir!

Nume, que as almas abrasas
Com a chama dos fogos teus;
Imensa como o oceano,
Infinita como Deus!

Não seres ilimitado,
Fora loucura pensar;
Ao teu despótico império
Quem pode um termo assinar?

Nos corações onde reinas,
Tens poder misterioso;
Ao bom, as vezes, mau tornas;
Tornas ao mau, virtuoso!

Ou feliz, ou desgraçado
Possuir-te é bem superno,
Quer ao céu nos arrebates,
Quer nos despenhes no inferno!!

Inferno?!... ao seio onde existas
Pode tal nome caber?
Pode sofrer dele as penas
Quem na alma altares te erguer?!

De tuas magas virtudes
A mais celeste, a mais pura,
É permitires que achemos
No sofrimento a doçura!

É fazeres que teus golpes
Queiramos antes sofrer,
Que sentir no peito um vácuo
Que mais nada pode encher!

Do mundo as realidades,
Que mais cobiçadas são,
Amor! amor! eu não troco
Por uma tua ilusão!

Amor! qual eu te imagino
Nos dourados sonhos meus,
És um resumo das glórias,
Das harmonias de Deus!