Formosa estrela de Itália,
Que vieste, do Brasil
O céu, tão cheio de encantos,
Tornar inda mais gentil;

Que deixaste o velho mundo,
Suas grandezas, seu povo,
Para vir noutro hemisfério
Aditar um mundo novo;

Depois que meiga te vejo
Fulgurando na Bahia,
Nesta plaga que Moema
Encheu de tanta poesia,

Acho-a mais leda, mais bela;
E, pois que mais me seduz,
Não me roubes este enlevo,
Privando-a da tua luz!

Mas ah! como em minha terra,
Que tantas glórias encerra,
Hás de ostentar teu fulgor,
Se além dois anjos mimosos,
Que te reclamam saudosos,
Carecem do teu amor?

Dois serafins que o Eterno
Ao teu carinho materno,
Tão providente, deixou,
Como doce recompensa
Da dor que sofreste, imensa,
Quando outros dois te levou.

Vai, Arcanjo de bondade
A sua, a tua saudade,
Pressurosa mitigar!
Possam lágrimas de ausência
Desses anjos de inocência
As carícias enxugar!

Possam eles, exercendo
As virtudes de seus pais,
Acalantar, caridosos,
Dos desgraçados os ais!
É assim que seus diademas
Um dia mais fulgirão,
Imitando a do Calvário
Sublime, santa missão.

Então teus votos ardentes
Serão, Teresa, cumpridos,
Vendo os dois anjos cobertos
Das bênçãos dos desvalidos.

Eu, que só tenho no mundo
O amor grato e profundo,
Com que meu peito enriqueço,
A ti, que deste-me a vida,
Numa esperança perdida,
Esse amor puro ofereço.

Como a Santa milagrosa,
Que nesta vida penosa
Nos aceita a devoção,
Acolhe tu, adorada
Imperatriz sublimada,
Meu hino de gratidão!