(No seu álbum)

Da pátria o gemido triste,
Quando tu, virgem, ouviste,
Na minha lira sentiste
Tanta dor repercutir,
Que, vendo-a chorar magoada
Sua terra nãovingada,
A julgaste despertada
Para nunca mais dormir!

Mas ah! como te enganaste
No juízo que formaste!
Foi o gemer que escutaste
Do pranto ungido da dor;
Final centelha de lume,
Que a fala de óleo consume,
Ou derradeiro perfume,
Que se desprende da flor. 

Não penses, virgem querida,
De novo chamar à vida
Esta lira que, perdida,
Jaz do olvido no pó;
Se acordou de sono largo,
De tão profundo letargo,
Foi para, com pranto amargo,
Carpir sua pátria, só.

Hinos dar-te eu não espero;
Do coração, porém, quero
Um voto ardente e sincero,
Por ti, ao céu enviar:
Possa, mimosa donzela,
A tua rósea capela,
Da virtude a flor singela,
Pura sempre conservar!